O que te trouxe até aqui não vai te levar para o amanhã

31/01/2019


Conceito central do pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida, seria o momento histórico que vivemos atualmente, em que as instituições, as ideias e as relações estabelecidas entre as pessoas se transformam de maneira muito rápida e imprevisível.

Como diz o filósofo: “Tudo é temporário, a modernidade (...) – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma. Na modernidade liquida o indivíduo que moldará a sociedade à sua personalidade.”

Como esta volatilidade vai impactar o varejo?

Para tentar responder a esta questão, fui beber na fonte. Fiz uma maratona em torno do Javits Convention Center em NY, onde aconteceu neste mês, a NRF Retail´s Big Show 2019.

Entre grandes quantidades de café, bagels, pretzels e cachorros-quentes de Nova lorque, aliás nada saudável, assisti a várias sessões, compartilhei experiências com vários executivos e colegas, fiz muitas perguntas, observei, me encantei com as novas tecnologias e visitei muitas, mas muitas lojas. Me diverti também.

Tive a oportunidade de integrar um grupo de brasileiros independentes (Boris Tour), que se formou de maneira natural e colaborativa, refletindo o atual momento –  “Collaboration is the new competition”.

Pela primeira vez, se juntaram empreendedores, executivos de shopping e do varejo, proprietários de lojas, parceiros de mercado, prestadores de serviços, associações e acompanhanhantes, revelando, o que na minha opinião é a maior tendência - Juntos somos mais fortes – além da transparência e da confiança entre as relações que é o que irá prevalecer.

Com isto, novos modelos comerciais estão surgindo. José Bernardo, um dos intregrantes deste grupo, lançou uma pesquisa on-line para identificar os principais takeways da NRF e o  resultado ilustra este artigo. O tamanho das palavras é reflexo de quantas vezes elas se repetiram entre nós.

Seria pretensão minha conseguir exprimir aqui este repleto conhecimento e reciclagem profissional. Voltei com ideias para novas histórias e uma compreensão mais profunda das apostas dos varejistas americanos.

Em 2008, como em outros anos, eu estive na NRF, e levei minha filha, na época com 7 anos para a tão desejada loja da American Girl, onde ela ficou pesquisando a boneca com a qual ela mais parecia, porém ela não encontrou uma com as mesmas características que a dela, e se contentou com a escolha mais similar.

Onze anos depois, na NRF2019, para minha surpresa, me deparo com uma palestra onde é apresentado o novo serviço, “Create your own”, em que a criança personaliza uma boneca com suas características no site da marca. Essa ideia foi precedida por iniciativas de outras empresas que começaram a criar bonecas com aparências diversas, para que mais crianças pudessem se reconhecer em seus brinquedos.

No entanto, a customização de bens de consumo não se restringe apenas a bonecas. Marcas como Lewis, Nike, entre outras, o possibilitam em suas flagships. É uma tendência no varejo baseada na conexão com o cliente.

O contato com o cliente é indispensável para o sucesso no varejo, porém existem ressalvas quanto a intimidade criada pelo uso da tecnologia e a confiança na segurança de dados, tema bem polêmico no momento.

Numa loja on-line, é esperado que com o uso, o sistema vai adensando informações e após um período se conheça o cliente em seus costumes e escolhas. Assim que ele entra em sua conta é direcionado para suas preferências.

O site oferece produtos relacionados e complementares com o histórico do consumidor. A intimidade prevalece. Porém, nas lojas físicas, é o anonimato que prevalece. São locais onde as pessoas podem dar vazão aos desejos de compra sem que eles constem em seus perfis de consumo.

Neste caso o varejo gera uma boa experiência com o contato humano. Oportunidade para projetos inovadores de LIVE MARKETING.

Embora se tenha a impressão que a “Geração Z” não está interessada em fazer compras em shopping centers, uma pesquisa apresentada pela PwC encontrou 60% de preferência, se comparada a outlets ou lojas de rua.

De acordo com os estudos publicados pela Prosper Insights & Analytics, as crianças vão mudar os padrões de compra para sempre – não apenas para compras de roupas infantis, brinquedos e alimentação, mas também em grandes itens.

Os “Millenials”, desde que chegaram em cena foram generalizados e estereotipados, e hoje estão se tornando pais e mães. Considerando que possuem elevado nivel de informação e conectividade, precisam ser reconhecidos, e encontrar refletidos nas marcas que se relacionam seus próprios valores sociais e políticos de maneira intrinsicamente verdadeira.

As empresas não podem ignorar este comportamento. Entenda para onde seu consumidor está indo: é onde sua empresa deverá estar. Reinvente-se rapidamente! Inovação não é só tecnologia. É também processo, estrutura, serviços, relacionamento, engajamento, transparência e o que mais sua imaginação permitir.

Tenha muitas ideias, mas ESCOLHA uma. Faça um protótipo rápido. Teste e ajuste. E não tenha receio de cancelar, se necessário. Conheça o negócio e defenda a rota de sucesso. Tudo com muita rapidez.

O bom varejo está sempre focado no Ser humano. A tecnologia é uma ferramenta para alcançar seu propósito.       

É necessário identificar o que seu cliente deseja. Optar por uma forma de proceder apenas porque é o modus operandi da época, ou porque os outros atores estão fazendo não é recomendado. Não invista em ideias que não terão ressonância com seu cliente.

Os clientes são mais leais quando têm confiança e identificação com sua marca. E fique atento: O sucesso e o fracasso caminham juntos.

 

Por Marcia Saad.

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