A hora do cafezinho

24/05/2019


Quando recebi o calendário dos artigos do Promoview percebi que me coube o Dia Nacional do Café.

Imediatamente fui tomar um cafezinho para me energizar e pensar no que escrever. Enquanto apreciava os efeitos da cafeína começando a se fazerem sentir e olhava ao redor, a ideia do texto começou a se materializar. Não sei se pelo excelente café ou, simplesmente, pelo prazer de parar um instante para pensar em algo fora do compromisso do dia a dia.

É verdade. Houve um tempo em que se podia parar para pensar. Uma época em que era possível identificar o nível hierárquico de um colaborador ou cliente apenas pelos sinais aparentes ao seu redor.

Um tampo de mesa com ou sem vidro, uma sala dividida com muitas ou poucas pessoas, com ou sem cadeiras para visitantes na frente da mesa etc. Era um tempo em que o espaço e a preocupação com o conforto era muito presente.

Os executivos mais importantes tinham secretárias exclusivas que, entre outras atividades, ficavam encarregadas de oferecer e trazer o cafezinho para o chefe e seus convidados, fossem eles funcionários ou não da empresa. As coisas aconteciam em uma velocidade de cruzeiro bem mais baixa.

Hoje não há mais espaço sequer para todos os colaboradores dentro da empresa ao mesmo tempo, quanto mais para mesas espaçosas e salas exclusivas. Para reduzir custos, os espaços de trabalho estão cada vez menores.

Por conta disso, muitas instituições têm obrigado seus funcionários a, pelo menos, um dia de home office por semana. A quantidade de estações de trabalho é inferior ao número de funcionários.

As reuniões estão, cada vez mais, acontecendo via Skype ou até mesmo WhatsApp, onde grupos são criados e encerrados à medida que os assuntos se resolvem. Aliás, uma das coisas mais difíceis, hoje em dia, é encontrar uma sala de reunião onde caibam, com um mínimo de conforto, mais de 4 ou 5 pessoas – o que, na minha opinião, é ótimo, já que reunião com muita gente não costuma ser produtiva.

Com isso, os contatos olho no olho estão cada vez mais difíceis. No contraponto, nota-se uma outra tendência forte, que é o aumento das áreas comunitárias dentro das empresas. Já repararam com os espaços do cafezinho têm ficado grandes? Com várias mesas, poltronas, sofás, bancadas, o espaço do café está se tornando a nova sala de reunião.

É ali que as pessoas estão marcando seus encontros. Muitos, inclusive, têm feito desses locais os seus home offices. Em lugar de trabalhar de casa, como não tEm posto de trabalho naquele dia, estacionam seus laptops no espaço de café e lá passam seus expedientes e fazem suas reuniões.

Isto vem acompanhado – coincidentemente ou não – por uma sofisticação do “cafezinho”. A variedade de cafés aumentou barbaramente nos últimos anos. As cápsulas estão cada vez mais coloridas e com embalagens sofisticadas e as cafeteiras viraram também peças de decoração.

Não se compra mais uma cafeteira apenas pelo café que ela faz, mas também pela forma como ela compõe o ambiente e o que ela diz a respeito da personalidade de proprietário, seja ele indivíduo ou empresa.

Apareceram as boutiques de café, tão sofisticadas quanto qualquer grife chique dos Champs Elisées ou da 5ª Avenida. Hoje não se pede mais um cafezinho, mas “Um expresso machiatto com canela e capuccino de avelã, ambos com chantilly, por favor!”

Cafeteria também virou sinônimo de Wi-Fi gratuito. Normalmente a primeira frase que se escuta nestes ambientes não é mais “Um café, por favor”, mas sim “Qual a senha do Wi-Fi?” E ai do atendente que responder que não tem ou que é para uso exclusivo do estabelecimento... Acabou de perder um cliente.

Definitivamente o cafezinho deixou de ser um simples produto disponível em bares e restaurantes para finalizar a refeição ou acompanhar o lanche para se tornar uma experiência sofisticada e complexa. Uma experiência sensorial, emocional e de status social e intelectual.

Opa! Li a palavra EXPERIÊNCIA? Que praia maravilhosa para o live marketing! Somos especialistas em criar e administrar experiências. Falamos, discutimos, criamos, enfim, respiramos isto todos os dias.

De uma maneira tal que, mesmo tomando um cafezinho e divagando sobre um tema diverso da minha rotina diária, sem perceber, voltei às origens e já estou imaginando, e, interrompendo a fluidez da redação deste texto para pesquisar promoções de cafés na internet.

Conclusão: Sou um viciado! Em live marketing, não em café. Deste último eu apenas gosto muito.

 

Por Antonio Salgado.

TAGs: antonio-salgado artigo