Mês do meio ambiente e o empreendedor de impacto

11/06/2019


O Dia Mundial do Meio ambiente foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972 na Conferência de Estocolmo.

artigo meio ambienteNesta grande reunião, dos representantes de vários países, foi discutida a importância do meio ambiente, a preservação dos recursos naturais, entre muitos outros assuntos ligados à vida. 

Esta data foi criada exatamente para que a discussão continuasse até hoje. E esta pauta move os ambientalistas, debates nas escolas, nas conferências do clima, da água e de muitos outros movimentos importantes para a manutenção do sistema da vida no planeta.

Temos visto várias ações contrárias por parte de governos, de empresas e de pessoas que estão buscando o crescimento econômico, a lucratividade e a sua “melhoria do bem estar” a qualquer preço e a qualquer custo. Este lado da balança que muitas vezes não consegue, num curto prazo, enxergar os impactos negativos nestas gerações, e quem dirá nas futuras.

No modelo do tripé da sustentabilidade fraca, segundo Adams (2006), as questões ambientais, sociais e econômicas podem ser gerenciadas e qualificadas separadamente. O que traz uma dificuldade de verificar as influências e as intersecções entre eles.

Agora no modelo da sustentabilidade forte, a econosfera está dentro da sociosfera que está dentro da biosfera, ou seja, os três pontos estão um dentro do outro e cada movimento realizado pode afetar diretamente o outro.

Algumas soluções estão levando em consideração esta econosfera dentro da biosfera, buscando minimizar os impactos ambientais e criando alternativas para um modelo que seja economicamente viável.

Ainda não estamos com soluções perfeitas, mas temos que continuar pesquisando e inovando dentro desta lógica que temos limites ambientais e sociais.

Para isso, por exemplo, existe um grande movimento de professores Brasil afora, mobilizados pelo ICE (Instituto de Cidadania Empresarial) no Programa Academia, que tem como objetivo engajar professores e fortalecer a atuação das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras nas temáticas de Finanças Sociais e Negócios de Impacto.

Discussões, encontros, modelos, trocas de informações, premiações, casos, enfim, muita produção para buscar soluções. Outro grupo é o da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável), que movimenta um grupo de profissionais que está trabalhando em diversas áreas do desenvolvimento sustentável no país, realizando atividades e impactando, por meio de debates, palestras, pesquisas entre outros.

E dentro deste tema de impacto, que tem tudo a ver com o Dia do Meio Ambiente, segundo a pesquisa da Pipe Social de 2019, 46% das 1.002 organizações de negócios de impacto socioambiental são ligadas a tecnologias verdes. Em segundo e terceiro ficam os negócios relacionados a cidadania (43%) e educação (36%). E do total das organizações, 39% está trabalhando com o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, referente à produção e consumo sustentável, e 37% com o tema cidades e comunidades sustentáveis.

As organizações são muito novas, pois 74% têm, no máximo, cinco anos de existência, sendo que 43% ainda não têm faturamento e estão atrás de investimentos ou na fase inicial de ideação, prototipação e piloto.

Quando a Pipe Social fala de tecnologia verde, considera todos os tipos de negócios que têm impacto ambiental (energia, água, poluição, reciclagem, resíduos etc.); projetos com impacto em agricultura, biotecnologia, análises de atmosfera, soluções para preservação de fauna e flora, entre outros. Ou seja, temas bem interessantes para discutirmos neste dia do meio ambiente!

Mas, economicamente são negócios que valem a pena?  Sempre me perguntam isso nas aulas. Para aqueles que têm uma mentalidade tradicional, somente financeiro e de crescimento, sim temos alguns dados interessantes.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), em 2019, estima-se que o Brasil terá um aumento de 44% na capacidade instalada de energia solar e gerará investimentos totais de R$ 5,2 bilhões. E que entre 2017 e 2018 teve uma expansão de 172% de geração distribuída.

A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) mostra que 9% de toda energia no país, em 2019, é gerada por energia dos ventos. Só em 2018, foram instalados 75 novos parques desta energia renovável.

Outro exemplo é o mercado de orgânicos que, segundo a Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), que reúne 60 empresas do setor, o mercado brasileiro neste segmento faturou no ano de 2018 R$ 4 bilhões, sendo 20% maior do que em 2017. Segundo esta organização, o Brasil já pode ser apontado como líder do mercado neste tema na América Latina.

Temos que debater sobre o meio ambiente. E mais do que isso, buscarmos soluções que estejam atreladas ao nosso dia a dia como consumidor, cidadão, família e comunidade. E quem sabe também não começar a pensar como um empreendedor de impacto socioambiental com uma inovação disruptiva que consiga aliar a realidade econômica e mercadológica com as questões dos limites do planeta e da sociedade?

Comece hoje! Viva o dia Mundial do Meio Ambiente!

Fonte: Marcus Nakagawa - Professor da ESPM.

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