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O papel do varejo na transformação social

Por: Adrian Tessalis 6 de Agosto de 2020

Durante a pandemia vimos coisas bem interessantes acontecerem. Pela primeira vez, Bancos se juntaram para fazer campanhas de conscientização, indústrias alteraram todas suas linhas de produção para produzir máscaras e álcool gel. 

Vimos também o varejo e a indústria assumirem um papel relevante na transformação social.

Isso é um grande marco, mas não deveríamos parar por aí. Essa situação mostrou que esses players podem ser grandes protagonistas nos processos de mudança oferecendo o suporte necessário para que as pessoas façam sua parte. 

O desafio que temos pela frente é de perpetuar esse tipo de comportamento e mostrar que é possível conciliar lucro e impacto. Para isso, basta que as empresas estejam dispostas a ir um passo além.

Acredito que a engrenagem principal para essas iniciativas terem sucesso é que exista uma relação de confiança entre o varejo e o consumidor e para que isso seja possível, vários paradigmas sejam quebrados. 

Na empresa em que atuo, adotamos o uso de sacolas retornáveis para fazer nossas entregas. Isso quer dizer que o consumidor recebia os produtos arrumadinhos nelas que ficavam com ele até a entrega seguinte. 

Isso fazia com que a entrega ficasse mais rápida, os produtos chegassem mais arrumados, mas, acima de tudo, criou um precedente que poucas vezes foi visto na relação entre o consumidor e o varejo

Pela primeira vez, o consumidor se via em uma relação que partia da confiança. A pergunta que sempre surgia era: E se o cliente fizer a primeira compra e nunca mais voltar? Nesse caso ele ficaria com as bolsas e tudo bem. 

Apesar disso representar um prejuízo financeiro, o lucro de imagem é muito maior. Ao usar a bolsa para outras finalidades, ele estará fazendo nossa propaganda. Mas, o maior impacto é que agora aquele consumidor começou a pensar no uso excessivo do plástico. Com isso, ampliamos a conscientização e iniciamos um processo de transformação social.

Esse tipo de relacionamento com o consumidor despertou o interesse da Coca-Cola que passou a operar sua estratégia de embalagens retornáveis no canal on-line. 

Ou seja, pela primeira vez, um consumidor podia comprar o líquido do refrigerante em um canal on-line e recebia em sua casa uma garrafa cheia e entregava uma vazia. Colocamos o consumidor em contato com os benefícios da logística reversa, e, mais uma vez, ampliamos a consciência usando a conveniência como maior ferramenta.

A partir daí, incluímos a coleta seletiva de plásticos, ou seja, já que estamos na casa do cliente, por que não recolher as embalagens plásticas usadas e levar para um centro de reciclagem?! 

Parecia algo mais que razoável se pensarmos que o grande responsável por entregar todo aquele plástico éramos nós mesmos. Para isso, a única coisa necessária do nosso lado era estar aberto a ousar e pensar fora da caixa. O projeto foi um grande sucesso e a adesão dos clientes foi massiva com mais de 1 tonelada de plástico recolhido em menos de 2 meses.

Durante o período de pandemia, essas ações foram suspensas por uma questão de segurança, mas já estamos finalizando as adequações para voltarmos a fazê-las, respeitando os novos protocolos sanitários.

A parceria com produtores orgânicos locais de Tinguá é outro exemplo. Os produtos que o cliente vê no site ainda estão na terra e serão colhidos apenas para seu pedido. Isso reduz enormemente o desperdício e viabiliza melhores preços por produtos de qualidade para o consumidor final.
 
Considero que na nova realidade que estamos vivendo e que chegou pra ficar, cada vez mais, os consumidores estarão atentos e passarão a cobrar por esse tipo de postura das empresas. 

A época em que ter apenas um bom produto ou serviço bastavam é coisa do passado! Agora, as pessoas querem conhecer o verdadeiro propósito das empresas e saber o que elas fazem além do esperado para ajudar na construção de um mundo melhor. 

Surpreender por intermédio de um impacto positivo parece ser a nova palavra de ordem.

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